O perigo da normalização de “fanfic” eróticas na vida das mulheres
Recentemente, após o período pandêmico, foram popularizadas histórias nomeadas de “fanfics” – que são histórias produzidas por fãs de certo fandom – tornando-se febre entre jovens e adolescentes. Contudo, dentre esses conteúdos, o gênero literário erótico tem ganhado mais visibilidade e destaque entre os consumidores da escrita, sendo, muitas das vezes, o primeiro contato com narrativas sexuais. Embora, na atualidade, os temas sexuais não sejam mais vistos como um tabu, e essas pequenas histórias sejam apenas um reflexo da criatividade e curiosidade juvenil, a preocupação começa a crescer quando meninas e mulheres denominam que a vida íntima e amorosa perfeita precisa ser igual à das histórias consumidas por elas.
Onde mora o perigo
Geralmente, todas as fanfics possuem narrativas diferentes, porém a maioria se assemelha por uma característica em comum: padrões que reforçam modelos distorcidos de afeto, sendo eles, os mais comuns: parceiros violentos e possessivos, romantização do ciúme extremo, sexualização de comportamentos agressivos e ausência de diálogo saudável entre os parceiros. Essas características em histórias, quando consumidas por meninas ainda no processo de amadurecimento, podem trazer sérias consequências em suas vidas, e uma das principais é: ter a ideia equivocada de que ter um relacionamento sem esses elementos é entediante, estar sempre em busca de homens agressivos e ciumentos, achar que o prazer sexual só é bom se vindo de indivíduos com tais características.
As consequências do consumo dessas histórias
Além desses contras refletirem em suas vidas amorosas, as meninas também podem sofrer mudanças bruscas no comportamento e na maneira como se veem, já que, em grande parte das histórias, o par romântico do personagem atraente é mencionado como uma mulher insegura, ingênua, submissa e emocionalmente instável. Esse tipo de narrativa acaba reforçando estereótipos já impostos pela sociedade de uma “mulher perfeita”, e, quando impostos em histórias consumidas em massa pelo público feminino, acabam colaborando para que jovens aprendam a relevar atitudes de abuso emocional, já que, na história, isso é tratado como forma de amor incondicional.
Conclusão
Portanto, não se trata de censurar e atacar as formas criativas que os fãs têm de se entreter, porém é necessária a compreensão mútua de que a normalização desse tipo de história não é benéfica para os jovens, podendo-as impulsionar a entrar em relacionamentos parecidos com os das histórias. Por isso, é necessário que o público-alvo tenha consciência de que, quando histórias replicam padrões de violência e romantização de sofrimento, e quando essas histórias se tornam a principal referência de sexo e prazer para milhares de meninas, a questão deixa de ser apenas literária e começa a ser um problema social a ser enfrentado.


